Um desenvolvedor chamado Brandon Thomas acabou de lançar sete aplicações gratuitas e open-source que copiam a linha Creative Cloud da Adobe — Photoshop, Illustrator, Premiere, Lightroom, After Effects, InDesign e Acrobat. Ele construiu-as em cerca de um ano usando o Claude Opus 5.5 da Anthropic para escrever a maior parte do código. O projeto chama-se ArtCraft. As aplicações são escritas em Rust, correm nativamente em macOS, Windows e Linux, e seis delas também funcionam no navegador via WebAssembly. Só o PhotoCraft contava com cerca de 39 000 estrelas no GitHub em meados de outubro de 2026, e os sete repositórios juntos aproximavam-se das 75 000 [1]. Mas o próprio Thomas classifica-os como “super early alpha”, e os primeiros testadores relatam controlos lentos, edição de texto quebrada e atalhos que não fazem nada [1][5].
O que as sete aplicações fazem realmente agora
O PhotoCraft é o mais avançado. Abre e grava ficheiros PSD em camadas, e a regravação preserva o aspeto de 307 em 309 ficheiros num conjunto de testes PSD público [1]. Inclui camadas, máscaras, estilos de camada, objetos inteligentes, motor de pincéis, 34 ferramentas, 27 modos de mistura e vários filtros [3]. A aceleração por GPU funciona via Vulkan no Linux, Metal no macOS e DirectX 12 no Windows [3]. O FilmCraft descodifica H.264, HEVC e AV1 com o seu próprio código Rust em vez de depender do FFmpeg [1]. O PdfCraft lê e edita PDFs. Os outros quatro — VectorCraft, LightCraft, EffectCraft e DesignCraft — continuam marcados como “em desenvolvimento” na página de estado do próprio projeto [1].
A equipa do Thomas avalia a prontidão do FilmCraft para projetos reais entre 50 e 60 por cento [1]. A própria página do PhotoCraft diz que ele “ainda não é um substituto do Photoshop para trabalho profissional diário” e lista funcionalidades de IA e generativas em falta, cerca de vinte ferramentas ausentes, lacunas em tipografia e fluxos profissionais, e ausência de suporte para plugins [1]. Um designer experiente no Hacker News descreveu a experiência como uma “fácsimile superficial com falhas pronunciadas” — menus e atalhos semelhantes, mas resultado diferente quando se usam efetivamente as ferramentas [3].
Como a IA escreveu a maior parte do código
Nos sete repositórios, 3 876 de 5 031 commits creditam o Claude Opus 5.5 como coautor — cerca de 77 por cento [1]. Só no PhotoCraft, esses commits adicionaram mais de 244 000 linhas de código [1]. Partes menores cabem ao Claude Sonnet 5.5, Claude Fable 5.1, Codex da OpenAI e GitHub Copilot [1]. O projeto está configurado para que agentes de IA façam a maior parte do trabalho: o guia de desenvolvimento do FilmCraft descreve um “ciclo de trabalho autónomo” onde um agente escolhe a próxima tarefa, escreve testes primeiro, constrói a funcionalidade, verifica-a controlando a aplicação em execução, e só pergunta a um humano sobre licenças, gastos ou publicação [1]. Cada botão e item de menu é exposto como um comando que pode ser chamado a partir da linha de comandos, um canal de controlo JSON ou um servidor MCP — o padrão que permite a ferramentas como o Claude Code operar outro software [1].
Thomas, que publica no Hacker News como echelon, diz que não pretendia publicar os repositórios tão cedo [1]. Tem cerca de uma década de experiência com projetos Rust de grande escala [5]. Desde fevereiro de 2026 programa exclusivamente com ferramentas de IA [5].
Por que os construiu: taxas de cancelamento e fadiga de subscrições
Thomas diz que o projeto começou depois de ter sido “picado pelo padrão obscuro da ‘taxa de cancelamento’ uma vez demais” [5]. O plano individual Creative Cloud da Adobe custa cerca de 55 dólares por mês [2], e cancelar muitas vezes implica pagar metade do saldo anual restante [2][5]. No Reddit escreveu: “Chega de subscrições com taxas de cancelamento. Estas são vossas para sempre. Podem fazer fork, compilar. O que quiserem. São vossas para sempre” [2]. As aplicações não têm telemetria nem paywalls [1]. O ArtCraft ganha dinheiro com uma ferramenta paga separada de imagem e vídeo por IA [1], e Thomas diz que o acesso baseado em tokens a esse modelo e a um IDE financiarão o desenvolvimento contínuo [5]. O código está sob licenças MIT e Apache [2].
Quem deve usar isto hoje — e quem não deve
Se for um utilizador casual a fazer edições básicas, o PhotoCraft pode já parecer familiar o suficiente para lidar com tarefas simples [3]. A interface copia deliberadamente o layout, menus e atalhos de teclado da Adobe para que utilizadores existentes de Photoshop ou Premiere se orientem facilmente [1]. Mas profissionais esbarrarão rapidamente nas lacunas: funcionalidades generativas em falta, comportamento de mistura diferente, edição de texto quebrada, ausência de ecossistema de plugins e gestão de cor que não teve décadas de refinamento [1][3]. Como disse um revisor, “ter funcionalidades semelhantes em locais semelhantes com nomes/ícones semelhantes não é o mesmo que funcionalidades que se comportam ou produzem saída da mesma forma” [3]. Por agora, o Affinity Photo (que corre no Linux via Wine) continua a ser uma alternativa mais completa para profissionais que querem sair do modelo de subscrição [3].
A mudança maior: a IA baixa a barreira para clonar software complexo
A parte notável não são apenas as aplicações — é o método. Um desenvolvedor usou um modelo de linguagem grande para criar clones clean-room de sete aplicações desktop complexas em cerca de um ano [4]. Thomas afirma que “o software acabou” e prevê que desenvolvedores comuns recriarão versões open-source de software pago popular para “recuperar a internet e possuir a tecnologia para sempre” [5]. Planeia visar o Microsoft Office, AutoCAD e SolidWorks a seguir [1].
Questões legais pairam. A implementação clean-room tradicionalmente exige equipas separadas para especificação e implementação [5]. Aqui, um desenvolvedor usou IA para estudar o comportamento da Adobe e gerar código. A Ars Technica nota que as aplicações podem ter problemas se o seu “trade dress” imitar demasiado de perto a interface da Adobe [5], referindo o caso Apple v. Microsoft onde alegações de look-and-feel falharam maioritariamente exceto para elementos específicos como o ícone da lixeira [5]. A Adobe não respondeu publicamente até às datas de reporte destas fontes.
A sustentabilidade é outra questão em aberto. Ciclos de lançamento rápidos — o PhotoCraft passou de v0.1.0 para v0.5.0 em dias [3] — mostram velocidade, mas manutenção a longo prazo, atualizações de segurança e governação comunitária não estão provadas. Thomas oferece estipêndios e bug bounties a contribuidores [1], e diz que uma equipa a construir software para cineastas garante financiamento [5]. Se isso se mantém caso a receita da ferramenta de IA flutue, resta ver.
Por agora, o ArtCraft é uma prova de conceito de que desenvolvimento assistido por IA pode replicar a superfície de ferramentas padrão da indústria a velocidade sem precedentes. Se atingirá a profundidade em que profissionais confiam — e se o enquadramento legal aguenta — desenrolar-se-á em meses, não anos, se o cronograma do Thomas for indicativo [1].
Fontes
- PhotoCraft and ArtCraft: free Adobe clones built with Claude
- AI developer builds free Adobe and Microsoft Office clones
- Artcraft Uses Claude Opus 5.5 to Clone All Seven Adobe Apps…
- PhotoCraft is an open-source, AI-built clone of Photoshop
- “Software is over”: Bold AI developer takes aim at Adobe with open …