A estratégia de IA da Epic superou a fase de testes piloto. Mais de 85% dos clientes da Epic já utilizam pelo menos uma ferramenta de IA da empresa, e seus três agentes principais — Art para clínicos, Penny para o ciclo de receita e Emmie para pacientes — estão gerando resultados operacionais documentados em centenas de sistemas de saúde [1][2]. No Users Group Meeting de 2026 e no HIMSS, a Epic delineou o próximo capítulo: uma plataforma para que as organizações construam seus próprios agentes e uma família de modelos de fundação treinados em dados reais de pacientes [2][5].
Os três agentes que já entregam ROI mensurável
Art, Penny e Emmie focam em diferentes pontos de atrito, e os números são específicos. Clínicos em diversas organizações completam resumos de alta 20–30% mais rápido usando as notas de curso hospitalar rascunhadas pelo Art [1][6]. No Riverside Health, as equipes de internação gastam até 32% menos tempo em tarefas de documentação e comunicação com o Inpatient Insights do Art [1]. O impacto clínico vai além da velocidade: no The Christ Hospital, o Art extrai achados incidentais de relatórios radiológicos para direcionar o acompanhamento, alcançando uma taxa de detecção precoce de câncer de pulmão de 69%, contra a média nacional de 46% [1][5].
A Penny combate problemas de autorização prévia e negativas de faturamento. A Summit Health reduziu o tempo de envio de solicitações de autorização prévia de medicamentos em 42%, com 92% das respostas geradas por IA aceitas sem edições [1][6]. Sistemas de saúde que utilizam intensamente a Penny veem as negativas relacionadas à codificação caírem mais de 20%, reduzindo o retrabalho e a perda de receita [1]. As organizações também criam cartas de recurso de negativa 23% mais rápido [1].
A Emmie lida com o volume de interações com o paciente. O Rush University Medical Center relata uma redução sustentada de 58% nas mensagens de atendimento ao cliente relacionadas ao faturamento [1][6]. Pacientes do Ochsner Health reagendaram mais de 14.900 consultas através da Emmie, economizando quase 750 horas de trabalho da equipe [1]. No Sutter Health, o Ask Emmie — um assistente conversacional dentro do MyChart baseado no próprio prontuário do paciente — já está disponível para um grupo inicial de usuários, com expansão planejada [1][2]. A Community Health Network registrou 73% menos mensagens de faturamento no InBasket após o lançamento do Ask Emmie [2].
Agent Factory transforma o EHR em uma plataforma de desenvolvimento de agentes
A principal funcionalidade é o Agent Factory, um ambiente visual de arrastar e soltar que permite aos sistemas de saúde criar, personalizar e implantar agentes de IA que raciocinam e atuam em todos os fluxos de trabalho da Epic [2][3][5]. Os agentes podem ser equipados com políticas locais, bases de conhecimento e salvaguardas, e implantados conforme o cronograma da organização [2][6]. A Epic também planeja publicar uma biblioteca de agentes pré-configurados e prontos para uso na plataforma [6].
Phil Lindemann, VP de dados e pesquisa da Epic, descreve o Factory como um “playground” para sistemas de saúde inovadores que desejam reimaginar processos transversais — agendamento, encaminhamentos e experiência do paciente integrados, em vez de gerenciados como aplicativos separados [3]. A Diretora Médica Jackie Gerhart afirma que isso coloca os hospitais “no controle” para projetar ferramentas em torno dos problemas que eles realmente enfrentam [3].
Curiosity e Cosmos trazem modelos de fundação preditivos para o fluxo de trabalho
Junto ao Agent Factory, a Epic está desenvolvendo o Curiosity, uma família proprietária de modelos de fundação médica treinados em registros de pacientes reais e anonimizados do Cosmos, a rede de pesquisa clínica da Epic [1][5][6]. Esses modelos preveem o próximo evento médico entre diagnósticos, medicamentos, procedimentos e desfechos [1][6]. O objetivo é apresentar opções de tratamento baseadas em dados no ponto de atendimento e alimentar recursos como um verificador de diagnóstico que sugere diagnósticos diferenciais e próximos passos com base em padrões de sintomas, histórico e desfechos [1][6].
O Ergo, termo da Epic para sua camada combinada de “inteligência de saúde”, mistura o julgamento humano com a detecção de padrões por IA em todo o EHR, MyChart, na rede Epic e no Cosmos [2]. A IA conversacional para clínicos permitirá que o Art responda a perguntas diretas (“Como está a tendência da pressão arterial deste paciente?”) e perguntas inferidas a partir do contexto conversacional [1][6]. Agendas de visitas colaborativas permitirão que Art e Emmie construam conjuntamente uma agenda compartilhada a partir das prioridades do paciente e do clínico antes da consulta [1][6].
A prontidão é fundamental: comece de forma restrita, aproveite o contexto e depois expanda
O CEO da Canvas Medical, Adam Farren, alerta que a maioria dos hospitais ainda não está pronta para explorar a amplitude do Agent Factory [3]. Seu conselho: demonstre vitórias iniciais com “agentes restritos” que resolvam problemas específicos e de alto impacto antes de tentar fluxos de trabalho mais amplos [3]. Uma tarefa restrita executada com precisão supera um fluxo de trabalho complexo com maior margem para erro [3]. Farren também enfatiza que o diferencial da IA de agentes é a ingestão de contexto — o prontuário do paciente, protocolos hospitalares, ordens padrão e histórico de atendimentos similares — e que as organizações devem aproveitar totalmente esse contexto para tornar os agentes úteis e seguros [3].
O próprio padrão de lançamento da Epic reflete essa lógica. O Chart with Art foi lançado para especialidades ambulatoriais em fevereiro, expandiu para enfermagem à beira do leito no Houston Methodist em março (já disponível em 11 sistemas de saúde) e tem como alvo o atendimento domiciliar em abril [1][2]. A ferramenta agora abrange mais de 70 especialidades e múltiplas funções clínicas [2].
O que observar a seguir
O roadmap da Epic inclui sessões de codificação autônomas e submissões de recursos pela Penny dentro de salvaguardas organizacionais [1], maior disponibilidade do Ask Emmie [1], e a conferência Open@Epic em outubro para desenvolvedores de aplicativos e especialistas em saúde [1]. Para líderes de sistemas de saúde, a questão prática não é se devem adotar a IA — mas se devem configurar os agentes integrados da Epic, estendê-los via Agent Factory ou ambos. As evidências sugerem começar com um caso de uso restrito e mensurável, provar o fluxo de trabalho e, então, escalar em direção à orquestração de processos cruzados que o Factory possibilita.
Fontes
- Real Results, Right Now: How Epic AI Is Reducing Costs, Improving Care…
- Epic spotlights Agent Factory, Cosmos-powered predictive tools
- The Agentic EHR: Epic Unveils ‘Agent Factory’ and Custom Models
- HIMSS26: Epic expands AI road map, touts key outcome metrics
- Epic Is Letting Health Systems Build Their Own Agents — But Are They…
- 5 things to know about Epic’s 2026 UGM AI announcements